É impossível não pensar nos conflitos territoriais que tem dado o tom do clima da região do sul da Bahia quando lá vivemos. Esses territórios tem sido redesenhados pelos índios que lutam para retomar suas terras e preservar a natureza, que é de onde tiram seu sustento e usam como ferramenta para dar continuidade a sua cultura. O seu conceito de pertencimento vem sendo colocado em xeque quase que maior parte do tempo pelo governo e pela população da região. A força econômica da agro-industria, mineradoras e grandes empresas luta contra a demarcação das terras índigenas e tem o governo como aliado nesse embate. O enraizamento nômade é presente no cotidiano dos tupinambás, que se deslocam constantemente pelas retomadas da região com objetivo de unificar a luta e afinar a parceria com seus parentes.

Aipo-Aipo! Animações de Poransys com os tupinambás

É nesse contexto que embarquei no dia 04 de junho para Olivença (Bahia), a convite da ong Thydwea, convivendo com os tupinambás com o objetivo de resgatar e dar visibiilidade à sua cultura pelo projeto Fortalecendo Culturas. Para isso iniciamos a produção de 14 animações que retraram o viver, fazer e ser índio em suas aldeias com seus parentes, e tem como inspiração principal os Poransys, que são cantos que levam a tradição e os rituais adiante.

Encontramos vários desafios, muitos inerentes a qualquer relação quando tratamos de trabalho colaborativo e outros que são reflexo da tentativa de embranquecimento do colonizador desde que pisou em nossas terras.

Nesse processo os tupinambás estão construindo seu idioma a partir da memória dos anciões e com a ajuda de tupinologos que somam forças com os índios.

É preciso estar em uma dessas aldeias para entender que o discurso dominante de tradição é falso e se apega ao passado para tentar aprisionar esses índios em um lugar que não existe mais. Nessa região boa parte das aldeias é fruto de retomadas, que são momentos de união entre os indígenas para recuperar suas terras e nelas criarem seus filhos a partir do seu modo de vida. Junto com a retomada vem uma série de novos elementos e outros povos que somam força com os indígenas e trazem novos conhecimentos para o cotidiano da aldeia.

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Ata Shoram e Katu Tupinambá

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Aldeia Itapoã

Na aldeia Itapoã, que foi a que tive mais afetos, é possível perceber que os saberes e fazeres ancestrais não são atos isolados e alienados do presente. Lá aprendi que é importante valorizar a cultura indígena e seus movimentos de resistência, mas sem aprisiona-los a uma visão tolhedora, que acaba favorecendo a cultura do colonizador, que está sempre questionando o modo de viver indígena e duvidando de suas origens para negar seus bens. Essa vivência resultou em um vídeo, elaborado e filmado coletivamente com os jovens da aldeia (Aylla, Murilo, Evandro e Potyra Tê Tupinambá). Video produzido: https://vimeo.com/101535866

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Seu Cará-Cará, um dos anciões da Aldeia Itapoã

 

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Seu Grilo, um dos anciões Tupinambá

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Dona Idelina, umas das primeiras moradoras da Itapoã

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Averado Taquati fazendo uma flecha

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Cacique Valdelice Jamopoty, cacique dos Tupinambás

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Averaldo Taquari

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Murilo, Evandro e Aylla, roteiristas e diretores

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Iracema Sussuarana

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Iracema Sussuarana e seu maracá

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Duy amamentando

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Gustavo

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Dona Maria

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Ainda sobre as animações…

A parte mais importante nesse processo colaborativo de produção das animações dos Poransys é que todas as narrativas e cantos foram criadas nas comunidades e pelos tupinambás de olivença. Ou seja, não fui eu, agente de fora, que decidiu o que era importante apresentar naquela cultura e o que seria mostrado dela para o mundo. O meu papel foi de provocadora para que os tupinambás enxergassem a riqueza dos seus viveres, de maneira a irem costurando narrativas ilustradas e filmadas, que deram formas a elementos do seu cotidiano, como o banhar no rio, caçar, subir na palmeira e lutar pela expressão de sua cultura com pinturas corporais. Durante o processo utilizados técnicas artesanais mescladas a digitais editadas com Softwares Livres.

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Ilustração para animação do Poransy Parentes Eu Agradeço

Das Conexões

Existem povos que tem pontos fortes de luta em comum, mas que infelizmente nem sempre dialogam, como os quilombolas, assentados e indigenas. E é nesse contexto que aproveito para me beneficiar da minha inserção da minha condição de andarilha para servir de interlocutora desses mundos: fui até a Casa do Boneco, em Itacaré, que é um espaço de fortalecimento e manutenção de ações de valorização da cultura afro. Lá aproveitei o pouco tempo que estive para conversar com as mulheres da casa sobre edição de vídeo com Software Livre. Utilizamos o Kdenlive, que é um software de edição para que elas pudessem produzir um vídeo que já era parte de suas demandas e que fala sobre o projeto Três Pedrinhas, que tem como objetivo incentivar processos educativos de união de povos indigenas, quilombolas e assentados.

Vídeo do Projeto Três Pedrinhas https://www.youtube.com/watch?v=Dt77A6ivpH8

Assentamento Terra Vista

Também aproveitei esses quase dois meses de sul da Bahia para passar alguns dias no Assentamento Terra Vista. Já tinha escutado algumas histórias sobre o assentamento, todas muito mágicas e sempre apontando esse lugar como espaço de união dos povos, contadas pelo Mestre Lumumba e YA Nadya. Fiquei encantada com toda a viagem, que é cheia de verdes, laranjas e amarelos que ganhei de presente do por do sol na estrada. Uma selva com muitos guardiões, mas infelizmente também com o exercito recepcionado o ônibus em Buerarema. O que eles estão fazendo lá? Vigiando e pressionando os tupinambás da Serra do Pardeiro. Escutei muitos relatos da violência que os indios de lá estão sofrendo. É impossível esquecer o terror presente nesses territórios. Está no ar o tempo todo e o exercito, presente em quase todo território faz questão de lembrar que a qualquer momento pode ser feita uma nova vitima. E essa vitima vai ser um indio ou uma india que saiu de sua aldeia e deixou seus parentes esperando…

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Tons de verde e laranja

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No caminho…

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Corre…

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Presente do sol

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Repressão e vigilância do governo

Chegada no Assentamento!

Chegando no assentamento encontro um dos moradores mais antigos, Seu Capixaba, que me ensina o caminho para chegar até umas das articuladoras, que se chama Deysi Ferreira. Uma cabocla de sorriso lindo, cheias de histórias para contar e músicas fortes para cantar. Enquanto faziamos um bolo em sua cozinha ela contou sobre a necessidade do assentamento ter embalagens e marcas que apresentassem a cultura dos produtores de lá. Eles tem se organizado como produtores de cacau e cuidam do processo de produção do chocolate, bananada, cacauda e açai do começo ao fim(se eu pudesse definir o assentamento em uma pavara seria Diversidade). Também tem grandes plantações de alimentos sem agrotoxico, que são para venda e consumo próprio, o que possibilita que eles se alimentem com o que plantam com as mãos e ainda tirem seus sustendo. No dia seguinte conheci Joelson, que foi o primeiro a sonhar o que seria o assentamento. O sonho virou realidade e hoje tem uma escola no assentamento para as crianças da região, que já estão crescendo com a consciência de um mundo cheio de possibilidades melhores de distribuição de renda e construção colaborativa. O clima de irmãndade é uma constante no assentamento, e o tempo todo as casas estão cheias de vizinhos contando histórias sobre seus plantios. Ao som de Elomar provei pela primeira vez o verdadeiro açai e escutei as histórias de luta para que o assentamento se tornasse o que é hoje, contadas por Solange, companheira de luta e amor de Joelson.

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Também tivemos uma prosa maravilhosa sobre a mulher inserida nessa luta e as possibilidades de um feminismo que seja embasado na luta da mulher brasileira, ao invés das teorias feministas europeias trazidas pela academia.

Procurei sentir cada detalhe do viver no assentamento para ajudar no entendimento coletivo da linguagem possível de representa-los visualmente em marcas e embalagens, pois acredito na comunicação visual como uma ferramenta poderosa de contrução e viabilização de indentidades comunitárias. Por meio dela é possível que a comunidade fortaleça sua imagem e represente sua cultura.  O ato de viver o cotidiano da comunidade possibilita a construção um novo olhar e uma abertura para a percepção do entorno, que depois pode ser documentado através de vídeo, desenho, logotipo, embalagem e outros produtos visuais de forma criativa e verdadeiramente representativa do povo. Assim tentamos construir coletivamente interações que provocassem o pensar sobre a representação da rede que a comunidade forma. Tentamos pensar em elementos para o logotipo da Teia de Agroecologia, das embalagens do Chocolate Rebel e o chocolate rústico e também do logotipo para o Assentamento. Acredito que só dessa maneira é possível conduzir processos reais de fortalecimento da cultura de cada lugar.

No terceiro dia de assentamento aconteceu uma visita surpreendente e que mostra como estamos ligados, mesmo que a distância: mestre Tc chegou com Peetssa Pdoisrca e seu coletivo Conta-Filé. Contei para eles sobre a produção das animações dos Poransys que estava vivendo com os Tupinambás, e da dificuldade de apropriação tecnologica que estava acontecendo por faltas de máquina na Aldeia Itapoã. Mestre Tc, junto com Solange, do Assentamento Terra Vista, foram pessoalmente levar três máquinas na aldeia Itapoã, todas com Software Livre. O parceiro Angel Rodriguez também foi e compartilhou todo seu axé! Ele foi a primeira pessoa que me contou sobre vivência com os tupinambás e foi muito importante ve-lo lutando para construir uma ponte sólida de circulação dos povos por seus territórios. Foi, sem dúvidas, um dos momentos mais bonitos da minha vida. Ter presenciado esse encontro entre assentados, quilombolas, tupinambás e loucos dos software livre, vendo nos olhos de cada um o reconhecimento da luta pelo território (presencial e virtual) e a importância da união me fez chorar de emoção. Foi a primeira vez na minha vida que vi uma rede construida por eles próprios. Uma rede que realmente descentraliza o poder e fortalece as pontas. Ou melhor, que não entende as pontas como pontas, e sim como eixos importantes de serem fortalecidos para que todos possam caminhar juntos com passos iguais.

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Painel semântico com inspirações para logotipo da Teia de Agroecologia

 

Oficina de Fotografia com Mulheres Indigenas

Nesse tempo que estive no sul da Bahia também fiz uma vivência de fotografia com mulheres indigenas durante um encontro de Mulheres Indigenas na Thydwea. Estavam presentes mulheres Pankararus (Pernambuco), Xocó (Sergipe), Kariri-Xocó (Alagoas), Karapotó (Alagoas), Tupinambá (Bahia), Pataxó Hãhãhãe (Bahia), Pataxó do Prado (Bahia) e Pataxó de Barra Velha (Bahia). Conversamos sobre o aproveitamento da luz de cada aldeia para dar o tom de nossas fotografias, entendimento de planos e enquadramentos e também sobre a importância do registro para a continuidade das tradições. Elas apresentaram fotografias tiradas do cotidiano de suas aldeias e como a sua relação com os tempos da natureza fortalecem sua linguagem visual. Não tenho coragem de falar que ministrei uma oficina para elas, pois ali eu também era aprendiz da sabedoria que cada uma levou com o retrato do seu cotidiano. Foi uma troca de saberes que vão ser levados adiante com a continuidade dessa formação através de uma plataforma colaborativa dentro do site do projeto Eu sou pelas mulheres indigenas, onde irei trabalhar com elas as possibilidades de registros fotograficos em rede que retrate o viver de mulher cheias de saberes, como parteiras e benzedeiras.

O Retorno…

Volto para São Paulo com o coração em Olivença, e a continuidade das animações agora a distância. Estamos na fase de autoração e em setembro o Dvd será lançado.

Também voltei com um cocar, feito pela irmão Marcelo Jaguatey e urucum, colhido pelo meu irmão Jaborandy Tupinambá. E a certeza de que em breve irei me pintar e colocar o cocar para também lutar como guerreira em honra aos meus antepassados e por um futuro que caiba terras demarcadas e liberdade para os meus parentes…

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De repente me peguei fazendo o caminho de volta: de quando tinha 13 anos e meus pais resolveram voltar para Pernambuco e não demorou muito para que eles adentrassem o seu interior, sempre com espirito aventureiro e com sede de resgatar o que seus filhos não tinham vivido de nordeste em sua infância.

Eu não entendia a beleza que a minha mãe via na vegetação verde-amerelada colorida por pedras ovais e ancestrais.

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– Hoje moro em São Paulo e recebi um convite para desenvolver peças gráficas para a Rede de Produtoras do Pajeú (uma rede de mulheres sertanejas e agricultoras de Afogados da Ingazeira) e também formações em audiovisual com Software Livre. –

Mais de dez anos se passaram e eu tive a oportunidade de voltar as extremidades de Pernambuco e entender como cada contorno dessas pedras é inspirador. Como a sensação de deitar sobre elas pode despertar sentimentos e lembranças mais antigas que o nosso momento de passagem pela terra, ou seja, o presente. E como a relação de território com seus elementos torna a sertaneja, de fato, uma forte.

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As casas feitas de tabica| As casas de sapê| O chão de terra esfarelado com plantas rastejantes| A vegetação marrom e emaranhada que de tão seca se torna cortante| Mais verde de cacto do que colorido de flores. Essa terra só pode dar a luz a filhos e filhas muito fortes.

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As flores são pequenas, delicadas e de vibrantes.

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E os frutos, como acerola e siriguela, enchem os olhos e a boca de água:

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Ana Cristina, uma das mulheres que participa da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, contou que essas sertanejas também são ribeirinhas e me levou até um riacho que recebe águas do rio Pajeú. Esse rio corta toda a região. Fiquei imaginando um encontro entre essas mulheres e as mulheres caiçaras lá das bandas de Cananeia, litoral do estado de São Paulo, repleto de mangue e mata atlântica…

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O sertão estava verde, mas há uns 3 meses atrás ela contou que estava tudo seco. Percebi sua alegria com o verde, o rio cheio e o cheio de terra molhada ao dizer: “o sertão é sertão quando está assim”.

Mulheres artesãs também participam dessa rede e vivem contando suas histórias por meio de retalhos. Criando visualidades para expressar e valorizar seu cotidiano. Querem protagonizar suas histórias e transformar a realidade de outras tantas que participam dessa teia de guerreiras.

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Tentantos, juntas, imaginar caminhos possíveis de produções com Software Livre que podem fortalecer o trabalho que elas já desenvolvem, e chegamos ao seguinte caminho:

– Construção de Portfólio;

– Peças gráficas (cartão, postais)

– Web Doc

– Pílulas Audiovisuais com a história das agricultas e artesãs

– Retratos

Esses são alguns dos produtos que acreditamos que podem registrar um pouco da tradição que essas sertanejas receberam de seus pais, que receberam de seus avós e assim por diante. E também divulgar para que a rede possa ser fortalecida e cada vez mais essas mulheres possam fortalecer seus caminho como cuidadoras de seus sonhos.

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Fim da parte I

A gente cresce com o imaginário de Brasília invisível, terra de políticos e lugar de ternos. Era assim que eu imaginava, até conhecer a terra do Calango e perceber que existem muitas saias coloridas por lá. Essa parte do cerrado carrega uma mutiplicidade cultural que traz congada, mamulengueiro, quilombolas, que com muita honra alimentam tradições seculares e cheias de força. E foi nessa cidade que aconteceu a Desconferência Metarecicleira, que nasceu como “Encontrinho Informal METARECS@DF” e organicamente se tornou “Encontro na Terra da Calaganda/ Peregrinação dos Des_finados pelo Fim do Fim do Mundo”, no dia de finados, 02 de novembro de 2012. Um encontro no centro do Brasil? Os últimos dois encontros da Rede Metareciclagem aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Duas cidades que são consideradas grandes polos pela quantidade de capital que gira dentro delas. Entretanto, pessoas que estão do outro lado do Brasil não tem tanta facilidade de chegar até essas cidades e a ideia de encontros descentralizados, como o que aconteceu em Brasília, possibilita que mais econtros, desse jeito, possam acontecer e mais pessoas possam se encontrar em lugares diversos. Afinal de contas, a rede metareciclagem está alé dos desenhos de mapas ou conexões astrais. E quem estava lá? Pois é, metarecicleirx também é metarecicleirx sem saber, pois é esse sentimento surge do coração e de uma série de-devires que só aparecem quando estamos abertos ao acaso. Tem gente que escolhe essa abertura como premissa, e essa é uma das coisas que mais achamos no cerne da Metareciclagem: o saber acelerar/desalecerar o passo na hora da novidade. O saber lidar com o imprevisto. O incorporar o erro e transformar em potência. O… E entre todas aquelas 20 pessoas (número aproximado) deu para sentir a magia do encontro, a importância de reunir não só quem está na lista da Metareciclagem, não só quem nasceu ou mora em Brasília, mas também  gente que está em outros estados, e em outras redes, e que pode pensar junto com os moradores da cidade algumas soluções a partir da mescla de experiências de gente com referências diferentes. É o caso de Webert Oliveira, que apresentou no encontro fotos e relatos sobre um espaço abandonado no Parque da cidade e jogou a pergunta: “como podemos ocupar esse espaço?” E de roda em roda o tema foi circulando, junto com as outras conversas que estavam rolando anteriormente, os particpantes do encontro começaram a imaginar soluções para a ocupação desse espaço, que possibilita o desenvolvimento de projetos relacionados a àgua, vídeo, dança, arte, tencnologia, pela sua relação com a natureza e com a cidade. Senti um ar de um dia de Submidialogia, atuando nas camadas de um lugar desconhecido, tentando entender o que está acontecendo naquele espaço para pensar maneiras de fortalecer as ações. Peraê, mas como foi a chegada em Brasilia? Peguei o mesmo voo que Rafael Beznos, e encontramos no aeroporto de Brasilia Magnus Magno e Webert Oliveira. É divina a sensação de conhecer pessoalmente pessoas que você vê na lista, verdinho no jabber e até já te despertou vários sentimentos sem que você tenha olhado nos olhos dela. Webert contou a importância daquele encontro acontecer em Brasília, a quantidade de nodos que estavam desconectados e precisavam uma situação como essa para estarem juntos. Muitas vezes a gente acha que é necessário um motivo para encontrar as pessoas, mas a saudade não é tida como um  motivo plausível. Acho que esse encontro vai despertar saudade em muita gente e saudade consumada é óleo da engrenagem da vida.   Domingo Imaginativo de Resoluções para o Mundo… Redes federadas, construir nossa própria casa, plantar nossos alimentos, fazer nossa música e tomar banho de cachoeira. E assim passamos o domingo: eu, Fabiana Goa, Farid Abdelnour, Daniel Prado, Leonardo Barboza e Fred Vazquez. A agulha da conversa era a frase “vamos fazer um mundo mais do nosso jeito” , de Zumbi dos Palmares. A linha que ia costurando era o sonho de cada um de um mundo baseado na economia solidária, no amor e nas possibilidades de continuar juntos a caminhada. Inicialmente usar um computador e plantar uma semente são ações completamente desconectadas, mas quando começamos a tentar entender o processo de construção daquele computador, como os softwares são produzidos e quem pode ter acesso, também percebemos que com as sementes não é diferente: como serão plantadas? Como será o seu processo de crescimento? Com ou sem agrotóxicos? E quem poderá comer essas plantas?  Essa reflexão surgiu em uma roda de pessoas muito diferentes, mas que tem como premissa fazer um mundo mais do nosso jeito… Salve Zumbi!   Segunda, Sol, Beco e papelão! O feriado foi todo de chuva em Brasília, mas na segunda o sol deu as caras em Taguatinga. E foi para lá que fui! Encontrar Farid, que carinhosamente me apresentou o Mercado Sul, conhecido como Beco da Cultura. Conheci Dona Nen, costureira que estava fazendo as camisetas para o Blender-Pro e toda riqueza que o beco agrega, pois envolve culturas outras, como um violeiro que faz viola caipira e um artista plástico chamado Virgilio Mota, que recria com saco de cimento e papelão. Com o material recriado ele produz cadeiras, mesas e outros objetos. O espaço se chama Tempo Eco Arte. O mais bacana é que essa galera do Beco está fazendo uma série de produções no Blender-Pro e mostra de forma concreta que é possível desenvolvermos jeitos de construção pautados pela economia solidária com base na união da comunidade. Uma costura daqui, outro faz a serigrafia ali, outra faz o orçamento ali..e assim, de um jeito gostoso que só, Dona Nen grita da casa vizinha: Farid, vem escolher o azul da camiseta! E lá vou eu junto e já participo da escolha, sem que Dona Nen peça minha identidade e referências anteriores para estar ali…ô jeito leve de fazer as coisas.. Para fechar a viagem, aprendi novos rituais de energização e ouvi um susurro no meu ouvido sobre a importância de estar atenta aos sinais, afinal “eles estão aí o tempo todo, na nossa frente”. E Brasília, o que te diz?

Para representar o fluxo de experiência do usuário durante a navegação do aplicativo

Baobáxia, desenvolvi um fluxograma de navegação das seguintes ferramentas:

login e apresentação do aplicativo. Ao todo são 6 telas base, com ramificações a partir das

interações necessárias. Essa é a primeira, e traz a área de login e a tela que Boas-vindas com uma apresentação do aplicativo.

A ideia dentro do aplicativo é valorizar as produções da comunidade, por meio da troca de conteúdo.  Além disso também faz parte do objetivo dessa interface gráfica fortalecer uma rede entre os usuários, por isso é importante que essa tela de boas vindas seja receptiva a novos usuários, assim eles não dependeram de outros atores para iniciar publicações e demais interações.

Durante o cadastro de usuário e comunidade/projeto deverá acontecer uma reflexão sobre o projeto, através de respostas estimuladas por perguntas que provoquem respostas importantes para quem está preenchendo e para quem irá visualizar o perfil do projeto posteriormente.

“Licença, você vai descer?”
E foi essa frase que me fez te notar. Olhos, boca, dedos. Muita informaçssrsqussrsquzttrssutrão para alguns segundos. Megulhei no pouco tempo e respirei tudo o que pude: ou melhor, decorei. Tentei gravar em minha mente o timbre de sua voz. Bobagem, logo se apagaria, ou melhor, no momento em que você atravessar a rua e pegar outro ônibus, tudo vai ser esquecido. Como manter ligada a luz do aparelho? Como não retroceder? Como ter coragem de pedir seu telefone, nesse caso algumas ferramentas são inúteis. Um consolo em casa funcionaria mais e alimentaria a minha perversão. Fiquei parada e você passou e encostou em mim. Mãos brancas e longas, quase as senti no meu pescoço. Quase comecei a inventar uma nova historia, onde você me chamaria para descer junto ou simplesmente roubaria um fio de cabelo meu. Coerência não é o forte dos pés. Nem da voz. Até quando uma fogueira mantém a chama?
Ouço mais uma vez:
“Licença, você vai descer?”
me afasto e você passa.

Poucos segundos e inúmeras palavras transbordando entre seus dedos.
Gostaria de ve-las saindo de sua boca, causando movimentos involuntários
em seu corpo, assim como o vento provoca água em nossos olhos.
O espanto do beijo me angustia e a perversão contida me encurrala para a única solução:
consolo. O consolo é uma das coisas mais tristes que pode existir. Quem gosta de ganhar o consolo? Quem gosta de consolar? Quem gosta de ser consolado? O orgasmo passa e como a culpa se torna inevitável. Tento fechar os olhos e dormir e sonhar com os sua pupila brilhante. Tento imaginar suas mãos arranhando minha saia, tento tento tento. Ouço sua voz: o mundo para. Quero decorar o som, esse timbre, essa composição de palavras que não para de sair da sua boca e cruzam tantos fios, transferem dados que vão morrer em nossas mentes logo quando você cruzar aquela porta. Será nosso último dia, nossa última chance. Dentro da caixa a última palavra não existe, mas o sentido que damos para o que está acontecendo retrocede qualquer forma de gostar, faz com que um possa machucar o outro. Quem sabe machucados não nos cansamos dessa brincadeira, ou pelo menos, ficamos marcados pela lembrança, como tatuagem. Acabo de receber um convite para tomar um drink: não é um consolo, e sim a verdade.

“Licença, você vai descer?”
E foi essa frase que me fez te notar. Olhos, boca, dedos. Muita informaçssrsqussrsquzttrssutrão para alguns segundos. Mergulhei no pouco tempo e respeitei tudo o que pude: ou melhor, decorei. Tentei gravar em minha mente o timbre de sua voz. Bobagem, logo se apagaria, ou melhor, no momento em que você atravessar a rua e pegar outro ónibus, tudo vai ser esquecido. Como manter ligada a luz do aparelho? Como não retroceder? Como ter coragem de pedir seu telefone, nesse caso ferramentas são inúteis. Um consolo em casa funcionaria mais e alimentaria a minha perversão. Fiquei parada e você passou e encostou em mim. Mãos brancas e longas, quase as senti no meu pescoço. Quase comecei a inventar uma nova historia, onde você me chamaria para descer junto ou simplesmente roubaria um fio de cabelo meu. Coerência não é o forte dos pés. Nem da voz. Até quando uma fogueira mantém a chama?
Ouço mais uma vez:
“Licença, você vai descer?”
me afasto e você passa.